Primeiros passos... primeiros títulos
O primeiro jogo oficial do então Grêmio Sportivo Brasil foi um amistoso contra o Sete de Setembro (Pelotas), e terminou empatado em 2 a 2, com dois gols de Diogo Rodrigues. A partida foi jogada em ‘campo aberto’, sem muros, no bairro Fragata, ainda no ano de fundação do clube da Baixada, que naquele tempo, aliás, ainda nem sonhava em ter um estádio. Em 1912 veio a primeira vitória: 2 a 0 em cima do Tiradentes (Pelotas), também em partida amistosa.
Já no ano seguinte o rubro-negro passou a disputar partidas oficiais, ingressando pela primeira vez no Campeonato Citadino de Pelotas. Sem experiência no certame, o time acabou ficando em último lugar na competição. Porém, a Liga Pelotense de Futebol (LPF) reconheceu o esforço dos atletas e agraciou o Brasil com o ‘Troféu Estímulo’, concedido pela dedicação e pela raça com que a equipe entrava em campo.
Mal sabiam os dirigentes da LPF o quão estimulados ficariam os jogadores com aquele prêmio. Tanto que na edição seguinte do torneio eles já colocaram o clube na terceira colocação geral. Depois vieram dois vice-campeonatos, e logo em 1917 a conquista do primeiro título de campeão da cidade, e de forma invicta. Era a maior façanha que o Brasil poderia almejar naquele momento, até porque ainda não existiam competições maiores ou mais abrangentes.
Só em 1919, quando o rubro-negro já era tri-campeão Citadino, surgiu um novo desafio: o primeiro Campeonato Gaúcho da história. Embalado pelos triunfos recentes, o Brasil encarou 16 horas de viagem em um navio a vapor – de Pelotas a Porto Alegre – para disputar a grande decisão com o Grêmio Foot Ball Portoalegrense. A partida foi realizada no dia 9 de novembro daquele ano, e com Frank; Nunes e Ari Xavier; Floriano, Pedro e Babá; Farias, Ignácio, Proença, Alberto e Alvariza; a equipe pelotense superou o favoritismo do clube da capital, e aplicou uma goleada de 5 a 1 em cima do Grêmio. Fazendo do Brasil o primeiro campeão gaúcho de todos os tempos.
Um dos registros mais genuínos desta grande conquista rubro-negra é a reportagem do jornal Correio do Povo, do dia 11 de novembro de 1919. O texto, muito charmoso e cheio de peculiaridades da época, começa assim: “Como era esperado, alcançou o mais franco sucesso o match jogado na tarde e ante-ontem no Ground do Moinhos de Vento, para a disputa do Campeonato Estadual. Concorreram a essa prova as equipes do Grêmio Sportivo Brasil, Campeão da Liga Pelotense e o Grêmio Foot Ball Portoalegrense, Campeão da Associação Portoalegrense de Desportos. Pela primeira vez foi disputado o Campeonato Estadual, sob os auspícios da Federação Riograndense de Desportos e o honroso titulo de Campeão coube a equipe do foot-ball pelotense”.
Na sequência o periódico da capital lamenta o fato de o Grêmio não ter levado a melhor no confronto, mas reconhece a superioridade do time do interior. “O foot-ball pelotense teve uma exellente representação, superior ainda ao que se esperava. Os onze jogadores do Grêmio Sportivo Brasil, não descuidaram um momento para vencer o seu adversario, fazendo todo o possivel para se sair honrosamente. A sua victória, não sofre a mínima contestação, representando ella o esforço da inteligência dos onze hábeis players. A sua actuação deixou a melhor impressão e os aplausos que receberam, durante o match, foram uma prova evidente de que souberam jogar com muita tactica e vencer como se deve. (...) É justo o júbilo dos pelotenses; é justa a victória do Grêmio Sportivo Brasil, e tanto mais digno de apreço, porque ela foi conquistada com players patricios, que aprenderam a jogar, e se fizeram fortes, excluisivamente nos grounds de Pelotas”. Destacou o jornalista, que encerrou a matéria falando dos aplausos recebidos pela equipe campeã ao final do jogo, e da atuação ‘calma’ e ‘homogênea’ do Brasil frente ao tricolor.
Para o retorno do grupo de jogadores a Pelotas foi preparada uma grande festa. Milhares de torcedores recepcionaram a delegação no cais porto. Houve queima de fogos e uma passeata até a Praça Coronel Pedro Osório, no centro da cidade, onde foram prestadas muitas homenagens aos grandes campeões. Mais tarde aquela conquista seria eternizada com a representação de uma estrela prateada sobre o escudo, que até hoje continua brilhando e fazendo lembrar que o Brasil é o primeiro campeão estadual da história, e que este título ninguém pode tirar do rubro-negro.
A conquista de 1919 ainda rendeu ao clube Xavante o convite para o primeiro Campeonato Brasileiro do país. Em 1920 a Confederação Brasileira de Desportos (CBD – atual CBF) organizou um torneio entre os campeões estaduais para observar possíveis integrantes da Seleção Brasileira, visando a disputa dos Jogos Olímpicos e do Campeonato Sul-Americano. A competição aconteceu no Rio de Janeiro, e, além do campeão gaúcho, contou com a participação do Fluminense (campeão carioca) e do Paulistano (campeão paulista), que ficou com o caneco.
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| Com o tri-campeonato Citadino (1917/18/19), o Brasil ganhou uma ânfora de porcelana da Prefeitura Municipal. |
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| A taça do Campeonato Gaúcho de 1919, o primeiro da história, é uma das mais importantes da galeria rubro-negra. |
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| Mesmo sem ter sido campeão, o Campeonato Brasileiro de 1920 rendeu ao Brasil um troféu de participação |
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| O clube da Baixada possui muitos troféus de bronze, do início do século XX, que atualmente se tornaram raridade. |
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| Troféus maiores e mais modernos também enfeitam o Salão de Honra do estádio Bento Freitas. |





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